Sharpe. Richard Sharpe.

Sim, eu gosto de Kafka. E de Camus.  Mas os livros de Bernard Cornwell, em especial os da série Sharpe, tem sempre lugar aqui na prateleira virtual do Kindle, passe a publicidade. Sharpe, o intrépido rifleman, com o seu dólmen verde em farrapos, calças e botas roubadas aos “crapauds”, espada de cavalaria pesada e espingarda Baker vão sempre ocupar um espaço largo nos meus mitos pessoais. Cornwell tem um amor grande pela História, atenção ao detalhe e consegue sempre arrastar o leitor pelo campo de batalha e aventuras entre mulheres fatais e inimigos ferozes. “São histórias simples, embelezadas com pormenores históricos” dizem-nos os senhores críticos com mais ou menos palavras. A estrutura é clássica, sim. O herói sobreviver a grandes tribulações e acabar por vencê-las usando a sua espada, real ou metafórica, é uma história velha como o Tempo. Sempre que se fala de Cornwell, Forsyth ou de Andy Macnab não é raro olharem-nos com ligeira surpresa. E eu conheço bem o olhar “Como é que possível que num mundo em que toda a gente adora comer lagosta temperada com lágrimas de foca bebé e duas cabeças de cravinho haja gente que gosta de rojões?”. É um olhar paternalista, bacoco e passa-se bem sem ele. Um dia, pode ser que deixemos de dividir as pessoas em pequenos círculos de quem leu ou não leu Sartre ou outro autor bem cotado pela intelligentsia . Entretanto, eu prefiro manter-me aqui, a calar a baioneta ao lado do Sharpe.

 

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